Só falo com meu
advogado aqui! Sempre achei que essa era uma boa resposta só não entendo porque
não funciona! por que perguntam se sabem que meu nome é Augusto Garibaldi! Não
sabem é que meu pai dizia que Augusto era nome de gente importante, e eu sou
importante no que faço. Comecei isso... Na verdade acabo considerando essa atividade
um negócio de família, começou com meu bisavô, depois foi meu pai e por fim fui
eu quem assumiu o lugar dele. Claro que tenho estudo! Meu pai me mandou até a capital
para estudar e só nos melhores colégios, e depois fui para uma das melhores
universidades do país! Me formei com honras e fui o orador da turma Sempre tive
facilidade em fazer as pessoas gostarem de mim!
Não me acho uma pessoa
má! Apenas faço o que é possível fazer para acabar de criar-los! É a própria
família quem me traz os guris, meu trabalho era só continuar com o que a
família não pode ou não quis fazer...
...educar alimentar incluir no mercado de trabalho encaminhar para o
mundo são alguns dos valores que mostro pra eles.
Amor? Não são meus
filhos! Para os meus filhos dou tanto amor quanto eles necessitam, os outros
são tidos como meus funcionários É simples destinar o que cada um vai fazer,
primeiro os coloco para trabalhar aqui no sítio, e fico observando no que cada
um é melhor, então é questão de pouco tempo para encaminhar pro serviço
adequado Alguns são bem inteligentes e tenho uma pequena procurar por esses Quem
procura por eles todo aquele que precisa de mão de obra! alguns são sim amigos
de longa data outros vem por recomendação daqueles que já utilizaram minha mão
de obra outros pelo preço...
Não isso
definitivamente não! Atividade sexual com as crianças é proibido é fundamentalmente
uma das questões que mais friso para aqueles que pegam as crianças pela
primeira vez, tenho também uma casa que é utilizada para encontros amorosos mas
lá, são todos adultos.
Eu não os maltratado
não, agora às vezes chega algum guri aqui machucado, me encarrego de prestar o
socorro que eles precisam e investigo quem foi o responsável pelos machucados,
e envio meus funcionários para se encarregarem dos agressores.
Olha onde me colocaram
não tem infra-estrutura nenhuma meus alojamentos são melhores que essa essa
essa coisa que me trancarão com toda certeza Aqui fica tudo junto banheiro e
ambiente comum isso é muito nojento e essa comida... intragável é o que posso
dizer sobre a comida jamais ofereci uma condição semelhante lá no sitio
Porque eu sou
sentenciado como sendo culpado falam que é por querer me aproveitar dessas
crianças sendo que a única coisa que eu pedia em troca de todos os cuidados que
eu fornecia para elas era que elas trabalhassem no meu ver isso será valido
para o futuro delas pois quando chegam em uma determinada idade eles partem
para viver por conta própria.
Segundos minutos horas
dias semanas meses anos passaram e eu continuarei tentando provar quem sou
porque fiz e que não maltratava aquelas crianças Começo a me convencer de que
não serei absolvido por quanto tempo poderei ainda contar com minha consciência.
Será que ainda posso
dizer que estou lúcido por que não me relaciono com os outros tenho me isolado
por medo ou por simples aversão aos que compartilham desse mesmo ambiente meus
sentimentos estão confusos deve ser reflexo do cansaço Meu cansaço tem sido meu
melhor calmante aqui só vencido por ele posso voltar a ter todo o conforto que
dispunha antes mas quando acordo a realidade é triste
Todos me abandonaram
sinto muita falta de meus filhos vou escrever pra eles mas vou falar o que o
que eles devem pensar de mim o que devem estar passando na escola coitados nunca
imaginei nem desejei condicioná-los a isso Vou começar assim Queridos filhos
peço primeiramente que me perdoem por tudo que tem passado como vocês estão Tem
se alimentado direito...
Parecia só mais um dia comum na pacata
cidadezinha, mas quando aquele táxi virou a esquina da avenida principal tudo
começou a mudar. Logo que saltou do taxi sentiu a velha brisa que na sua
infância tanto lhe refrescava, junto a ela muitos sentimentos começaram a
refrescar sua memória, Nossa olha como essas arvores cresceram! Nossa, os
canteiros em volta da praça continuam sempre floridos!
Ele estava acostumado com chegadas e
partidas porem dessa vez seria diferente, diferente porque não seriam
desconhecidos que passariam pelo mesmo treinamento que ele já havia decorado de
tanto usar nos cursos que aplicava pelo país, ele estava com o horário apertado
para esse treinamento devido às muitas filiais da empresa que estavam
inaugurando naquele mês, mas, deu um jeitinho na agenda e ia poder aproveitar a
manhã do dia seguinte para passear em sua cidade natal.
Então terminado o treinamento,
partiu eufórico para reencontrar os amigos e curtir a noite da cidade. Eles
ainda estão com a mesma aparência que eu tinha em minha mente! A noite aqui
ainda continua muito animada! Meu Deus! Como estou exausto, só quero descansar
agora para poder acordar bem cedo! Após um dia cansativo e saudosista chegou
enfim na velha casa de seus pais onde ele poderia descansar tranquilamente.
No outro dia saiu bem cedo e foi até
a padaria da esquina, e fez seu pedido. Nossa nada mudou nessa cidade, o
cardápio da parede ainda tem os mesmo itens! O que eu vou querer? Suco, yogurte
batido, pão com manteiga na chapa. Não sei o que pedir primeiro! Continuando
seu passeio foi para pracinha, como eram felizes as recordações que ele tinha
daquela praça, as árvores que mantinham gravada as juras de amor feitas na
adolescência, os longos canteiros floridos com um aroma deliciosamente
inebriante de jasmim que cercavam os quarteirões que compunham a praça, o que
ele achava intrigante é que tudo parecia como antes, mesmo com todo a avanço
industrial que ocorrerá na cidade não se via vestígios de degradação ou os
problemas freqüentes nas metrópoles.
Ele começou a andar pelo corredor na
calçada que era feito basicamente das paredes e vitrines de lojas e os três
grandes monumentos que cidade tanto se orgulhava, a prefeitura no centro, o
museu a direta, e o cinema à esquerda. Entre os prédios havia corredores que
levavam a outra praça, mais reservada, e essa seria perfeita para seu almoço,
tudo estava dentro de seus planos, não parecia que iria se atrasar.
Como esse dia tem sido muito
intenso, quantas lembranças, e foi mágico passar pelo cinema, e o almoço aqui
na praça, fantástico! Olha a hora que já é vou me atrasar para pegar o museu
ainda aberto, não vou passa na prefeitura, vou cortar pelo corredor ao lado do
museu assim já encurto meu caminho.
Ao começar a se direcionar para o
corredor que faria o acesso ao museu começou a notar algo diferente, havia
muito papelão, garrafas pet, panos sujos, um enorme contêiner para lixo. Mesmo
com toda essa situação desagradável ele prosseguiu com sua caminhada, pois,
estava muito ansioso para visitar o museu. Logo que entrou no corredor o cheiro
adorável de jasmim desapareceu e deu lugar a um fedor putrefato, começou a
refletir se entre a prefeitura e um museu era local pra deixar de ter coleta
seletiva de lixo, quando deu mais alguns passos pode identificar algumas
pessoas, estavam localizados atrás do contêiner de lixo, logo viu que era um
grupo de andarilhos deviam estar em aproximadamente oito pessoas que
imediatamente passaram a fita-lo com os olhos, sua única reação foi estremecer
sentindo um pavor imenso.
Meu Deus fica junto comigo agora!
Será que eles são perigosos? Porque me olham tanto? O que querem de mim?
Preciso seguir em frente, se eu voltar eles provavelmente vão me seguir!
Continuou andando e começou a perceber que eles haviam fixado moradia ali,
encontrou objetos íntimos, viu também algumas crianças, essas estavam comendo
algo que com grande certeza tinha vindo do contêiner.
O que é isso? Que imundice, como
pode alguém viver nessas condições? E as autoridades, porque não tomam nenhuma
providencia? Eu jamais aceitaria uma situação assim! Conforme passa pelos
restos de comida espalhados pelo chão, seu corpo arrepiava, começou apensar no
almoço e seu estomago revirava, o simples fato de respirar e não ter mais
aquele aroma maravilhoso que a poucos metros dali se encontrava foi suficiente
para que ele começa-se a pensar em tudo o que possuía.
Enfim acabou aquele corredor e ele
pode enfim entrar no museu, logo que entrou se surpreendeu mais uma vez, a
exposição tratava justamente sobre esse caos urbano que vivemos, ele apreciou
tudo, havia fotos e esculturas de todos os lugares do mundo, por fim, sentou-se
em frente a uma ultima imagem, e em tom perplexo ligou para sua secretaria
pedindo para que ela cancela-se todos os seus compromissos, pois tinha um
assunto de ordem urgentíssima para resolver. Entre todas as imagens a ultima
foi a mais chocante, foi ela que fez se coração doer de uma forma que jamais
havia doído e ele só era capaz de pensar em uma em contribuir de alguma forma
para que essa situação chegue ao fim.
Deus! Coitados! Como pode a minha cidadezinha
estar nessa seleção de fotos, preciso fazer alguma coisa para ajudar essas
pessoas, como pude pensar o que pensei sobre eles! No maximo eles me pediriam
uma esmola, não iam me assaltar! Tenho que ligar para a minha secretaria.
até onde devo ir para ser amado?
... o que é ou como é ser amado?
... é dar aquilo que me pedem ou aquilo que precisam?
... como saber realmente o que o outro precisa?
... será que para ser possível o desejo de ser amado
tudo o que fora vivido deve ser posto de lado para sermos imparcial?
... como ser imparcial?
... para ser imparcial devo relevar os desejos e as necessidades?
... mas, se relevar todos esses valores estarei postergando um relacionamento emocional
e tendo uma relação técnica, metódica, fria, e até profissional
... afinal, alguém conhece algum manual?
O suave embalo de uma rede quero desfrutar
A contemplar o céu estrelado vou aguardar
Morfeu com sua carruagem passar
E meu descanso enfim entregar
Passo os dias a refletir,
sinto angustias que me fazem sofrer.
As amizades me levam
a adoecer,
só os
inimigos me fazem sorrir .
Como posso perceber, quem é bom ou
ruim,
apenas ao
estabelecer, quem fica perto, longe ou junto a mim?
Sinto suavemente o som das ondas
singelas do mar,
que
na areia vem pegar, vestígios daqueles que se juntam a salutar.
Levam rumo ao infinito profundo,
sentimentos que só o coração pode confessar,
trazem a margem lembranças do que já
fora vivido, muitas vezes por nós esquecido.
Continuo minha reflexão e me apanho a
confiar,
emoções que
ao mar não havia concedido.
Ouço ao fundo: “Chamem um Médico!”. “Meu Deus! Que tragédia”. “Isso só pode ser
coisa de gente ruim!”. Eis que retomo parcialmente à minha consciência e observo
meus dois companheiros, já pálidos, petrificados, próximos de meu corpo, como se
quisessem constatar se meu sofrimento já indicava minha agonia terminal.
Tento levantar-me, mas, sinto
algo nunca antes experimentado, como se meu corpo não respondesse aos meus
comandos, passo então a refletir; seria reflexo de alguma das substancias que de
costume usávamos em nossas aventuras diárias? Seria alguma reação nova causada
por uma contaminação do meio ambiente do qual compartilhávamos? Seria castigo
por algum pecado que cometemos? Confesso que essa reflexão tomou-me algum tempo,
tempo este suficiente para notar que já não havia mais pessoas em torno de meus
amigos e eu, nem mesmo eles que antes petrificados, no chão repousavam como se
almejassem desfrutar os sonhos que tiveram algum dia.
Abro meus olhos e encontro-me
num lugar muito iluminado, impecavelmente limpo, muito diferente do qual me
encontrava antes; as dores voltaram, estou rodeado de desconhecidos vestidos com
roupas que nunca tinha visto, mascarados, amparados de muitos instrumentos.
Alguns não me causam dor, já outros doem tanto que esqueço o que me acontecera,
e passo a atentar aos diversos tubos que me introduzem para realizar
procedimentos dolorosos, as injeções que me são aplicadas, nos termos que são
usados, e que minha falta de estudos não torna possível compreender. Passo a
pensar que o motivo das mascaras é para esconder a identidade desses que, de
minha situação, parecem se aproveitar.
Quando abri os olhos novamente,
sentia-me muito fraco, pude somente ouvir uma única explicação: “Isso foi
causado por veneno de rato!” “Durante os exames, encontramos vestígios de que a
contaminação se deu pelo veneno, uma pequena dose de soda foi encontrada, mas
não foi a causadora da situação. Os policiais investigaram a ponte onde eles se
abrigavam e encontraram algumas drogas, cigarros, pouquíssimo dinheiro, um pote
de sal, onde na verdade havia um pouco de soda, e o fator determinante; uma
sacolinha, encontrada no lixo, nela havia uma bandeja de carne com data de
validade já vencida e vestígios de veneno de rato, provavelmente utilizada para
abrigar o mesmo antes de ir para o lixo junto com a carne.”.
Neste instante, passei a
sentir novamente muita dor, mas, dessa vez, doía em meu coração, pois acabei
entendendo o porquê de meus amigos não se movimentarem; eles já estavam mortos.
E essa culpa era minha, pois eu havia achado a sacola com a carne, e fiquei tão
feliz que minha reação foi correr para dividir com meus amigos, mas não sabia
que, junto com ela, encontraria tudo o que fora ocorrido!
Vou agora aguardar, pois sinto
que, de alguma maneira, encontrarei meus queridos amigos, e então, juntos
novamente, poderemos desfrutar de tudo aquilo que um dia sonhamos juntos.